“Somos profissionais de corpo inteiro”

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LabPro: Como define a formação académica em Prótese Dentária existente no nosso país?

João Carlos Roque: Portugal está na vanguarda. Temos quatro cursos superiores de Prótese Dentária, um público e três privados. Por via do Processo de Bolonha, a remodelação dos planos de estudo, de um modo geral, levou à perda de um número substancial de horas da componente prática e a um ensino de base mais teórico. Isto traduz-se na diminuição da experiência laboratorial ao nível da destreza técnica e na capacidade de articulação de conhecimentos teóricos com a prática laboratorial diária. Por outro lado, a docência das cadeiras de componente mais prática nem sempre é tutelada por técnicos com experiência técnico-científica desejável ao nível da prótese laboratorial. Em relação às saídas profissionais, esta situação cria discrepâncias e reflete-se no acesso ao mercado de trabalho. Preocupa-me que não exista uma interligação entre a profissão e os conteúdos académicos. Despejar muitos profissionais e não possuir a garantia da qualidade mínima da sua formação comprometerá a imagem e o exercício da profissão.

LP: A par da formação, a comunicação constitui um pilar essencial para o crescimento da profissão?

JCR: Sim, sem dúvida. Torna-se imperativo que os técnicos de prótese falem a uma única voz, participando em fóruns onde possam levantar as suas dúvidas e os seus anseios. Desde o início que a APTPD tinha a ideia de publicar um boletim, chegando até a fazer alguns números, mas a ideia caiu por terra.

LP: Está confiante quanto ao futuro da profissão?

JCR: Gostava de dizer que sim, mas infelizmente existem muitos problemas para resolver. Aquilo que se verifica é que a articulação da formação com o processo de Bolonha reduziu a componente prática do curso, essencial para uma profissão onde a prática impera. Agora, parte dessa aprendizagem faz-se no trabalho. Para além disso, o Ministério da Educação criou cursos ao nível do ensino secundário para auxiliares de técnicos de prótese e não existe enquadramento profissional para estas pessoas. Elas vão exercer, provavelmente, a função de técnico de prótese. Abriu-se uma porta para a desarticulação do exercício profissional e urge reequacionar o modelo de formação existente e definir, ao nível da profissão, as balizas que devem existir. Contudo, acredito plenamente na capacidade dos técnicos de prótese dentária portugueses em darem um passo em frente para poderem esclarecer a sua atividade. Estão bem apetrechados a todos os níveis e conseguirão, sem dúvida, transpor esta fase com sucesso.

Leia a entrevista na íntegra na LabPro 1

26 Julho 2012
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