II Encontro LabPro: a digitalização nos laboratórios de prótese dentária
“Se não houver formação e massa crítica, qualquer dia todos os dentes serão iguais”
A digitalização dos laboratórios é hoje uma realidade incontornável. As fresadoras e as impressoras 3D substituíram processos manuais, aumentando a produtividade e abrindo espaço para novas formas de trabalho. “O fluxo digital facilitou a vida de todos, mas é apenas uma ferramenta”, alertou um dos participantes. Outros reforçaram que a tecnologia não substitui o olhar humano nem a sensibilidade artística. “Se não houver formação e massa crítica, qualquer dia todos os dentes serão iguais”, revelou outro dos intervenientes.
A inteligência artificial entrou nos laboratórios como uma promessa e um desafio. Alguns técnicos reconhecem a utilidade da IA para otimizar tarefas repetitivas ou gerar modelos rápidos. Outros, mais céticos, veem nela uma ameaça à identidade artesanal da profissão. “O risco é acreditar que a máquina pensa por nós. A inteligência humana tem de ser o filtro final”, resumiram alguns técnicos. Uma coisa ficou clara: as novas ferramentas permitem intervenção mais precisa e eficiente, mas exigem supervisão e conhecimento profundo de anatomia e materiais.
De facto, a transformação digital trouxe uma nova geração de técnicos e mudou a forma de trabalhar nos laboratórios. A convivência entre profissionais experientes e jovens recém-formados cria, porém, tensões inevitáveis. Os veteranos defendem o valor da experiência manual e da prática de bancada, que consideram insubstituível. Já os mais novos, formados no ambiente Cad-Cam, assumem uma postura mais pragmática, habituados à tecnologia, mas, muitas vezes, menos preparados para resolver imprevistos. “O computador não resolve o que o olho humano corrige”, ouviu-se numa das intervenções.
A introdução da inteligência artificial e dos sistemas automatizados de fresagem e impressão está a alterar a natureza do ofício, mas ainda há espaço para o toque humano. Ao mesmo tempo, o mercado exige rapidez e custos controlados. Essa pressão comercial leva muitos profissionais a questionar se a busca pela eficiência não compromete a qualidade. A personalização, vista como essência da prótese dentária, corre o risco de se diluir num fluxo automatizado que prioriza volume e padronização. “O futuro será dos que souberem equilibrar tecnologia e sensibilidade”, sintetizou uma das vozes.
Leia a reportagem na íntegra na revista LabPro 60.
12 Dezembro 2025
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