“É preciso olhar e gerir um laboratório como uma empresa”

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LabPro: Que ações concretas é que foram desenvol¬vidas na classe dos industriais de prótese, desde que está inserido na Associação?

Moisés João Rocha: Foram, essencialmen¬te, ações para o registo dos laboratórios no Infarmed. Em 2003, a nossa direção teve reuniões com os grupos parlamenta¬res para a alteração da categoria indus¬trial. Até 2003, um laboratório tinha de estar numa zona industrial. A partir daí, já foi possível a instalação no perímetro urbano, que é onde temos os clientes. Não fazia sentido estarmos em zonas industriais, que não eram propriamente zonas muito agradáveis. Eram hangares, pura e simplesmente. Também nos candidatámos, entre 2000 e 2004, a fundos comunitários para formação. Conseguimos das maiores formações em Prótese Dentária, a nível nacional, com cursos a decorrer, ao mesmo tempo e com várias turmas, em Lisboa, Coimbra, Porto, Póvoa do Lanhoso e Braga, em regime pós-laboral. Fizemos candidaturas ao associativismo e equipámos e informati¬zámos a associação, fizemos novos registos, mudámos a forma de lidar com os sócios. Os gabinetes de apoio jurídico e de apoio ao sócio foram modernizados, a imagem da associação mudou. Agora estamos a ver como se resolve a questão das carteiras, das cédulas profissionais que estão no Ministério há alguns anos. Reunimos com o sindicado e com a Associação dos Técnicos de Prótese Dentária. Pela primeira vez, unimos esforços. Neste momento, que a classe está unida, há condições para a criação de regras de conduta, quer entre técnicos, quer para a regulamentação da atividade dos laboratórios. Esse é o grande passo que temos de dar. A seguir, temos de fomentar uma visão empresarial nos laboratórios.

LP: Quais são os principais problemas do setor, atualmente?

MJR: Em termos técnicos, não temos a formação que seria necessária, mas temos pessoas abertas à formação e isso é importante. A mentalidade está a mudar porque a média de idades baixou e as três escolas que funcionam, a nível nacional, possibilitam que as pessoas continuem, após o curso, a aperfeiçoar-se. A inclusão dos cursos de técnicos auxilia¬res de prótese dentária nos liceus, como uma vertente profissional, também é muito importante, porque faltava o apoio aos licenciados dentro dos laboratórios. Outra grande mudança é a junção de laboratórios para serem rentáveis. Deixam de haver pequenos laboratórios e come çam a haver médios ou grandes laborató¬rios com várias especialidades. Os encar¬gos com o Estado e com a mão-de-obra são muito grandes, de 40 a 50 por cento da faturação dos laboratórios. É preciso olhar e gerir um laboratório como uma empresa. Esta é uma mudança de menta¬lidades que tem de ser feita.

Entrevista na íntegra na LabPro 5

20 Julho 2012
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