“A formação em PD tem base teórica boa mas pouca prática”

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Numa altura em que os técnicos de prótese dentária nacionais adquirem cada vez mais prestígio a nível internacional, a LabPro tem vindo a traçar as principais virtudes e defeitos do ensino ao nível das licenciaturas e dos cursos de formação profissional.

José Carlos Monteiro, gerente do laboratório J.C.M. Estética Dentária, sediado na Maia (Porto), diz que “se as faculdades que lecionam o curso de licenciatura em prótese dentária tiverem como objetivo formar pessoas com um conhecimento ‘básico’ sobre prótese dentária, cumprem-no. Porém, se tiverem como objetivo formar técnicos de prótese dentária, fracassam. Isto resume-se no meu entender a um pensamento de Augusto Cury, que menciona que ‘o ensino ministrado não é, presentemente, para formar pessoas que pensem e discutam ideias, que questionem, mas antes pessoas que são formatadas para aceitar os ensinos de forma taxativa. Não permitindo a exploração de ideias e a colocação em causa das técnicas’. A formação em Portugal, de uma forma geral, enquadra-se nestas palavras. E a prótese não foge a isso. A formação em prótese dentária caracteriza-se, na minha opinião, por uma base teórica que considero até boa mas com pouca prática. Sendo esta uma profissão fortemente agarrada à habilidade manual, penso que a componente prática deveria estar mais presente na formação. Mesmo vivendo numa era informática, em que os CAD/CAM já estão no quotidiano do técnico. Não quer dizer que seja propriamente mau, mas, numa profissão tão dependente da parte manual, fica aquém do que realmente é necessário e essencial para formar técnicos de prótese dentária. Há alguns anos existiu uma mudança substancial na estrutura da formação do técnico de prótese dentária, pois, em relativamente poucos anos, passámos de uma formação prática nos laboratórios a uma licenciatura. Isto numa fase inicial trouxe conhecimento teórico ao técnico, abriu de certa forma horizontes e perspetivas, mentalidades mais focadas em evoluir tecnicamente e numa busca constante de novas técnicas e materiais. Porém, com a redução para três anos da licenciatura perderam-se muitos destes princípios. A carga horária é diminuta para a formação de um técnico que tem tantas áreas a explorar”.

Saiba mais na LabPro 29.

15 Setembro 2017
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